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Uma história popular do futebol

Considerado o esporte mais popular do mundo e uma indústria que movimenta bilhões, ganha história subversiva ainda não publicada no Brasil.

*João Rosa Miranda

É o desporto mais célebre do mundo. Todo o amante de futebol tem uma equipa do coração, e mesmo quem não liga à bola sente um impulso patriótico ao ver a sua nação representada no Campeonato do Mundo. Estima-se que o desporto-rei tenha cerca de um bilião de espectadores: uns seguem jogos em estádios ou campos improvisados, outros através da televisão, em casa ou no café. Há quem jogue com os amigos, há quem faça apostas desportivas e quem prefira brilhar no FIFA da PlayStation.

O futebol é também uma indústria global alimentada pelo dinheiro, patrocínios, direitos televisivos e uma chuva de superestrelas como Ronaldo, Messi, Rapinoe e Neymar Jr. No âmbito do futebol profissional, o desporto e o lucro vestem a mesma camisola. No entanto, há muito jogo para além do mundo dos negócios. “Uma História Popular do Futebol” (Orfeu Negro, 2020) faz o relato do que há de subversivo no futebol, dentro e fora das quatro linhas.

Embora existam jogos de bola desde há mais de dois mil anos, o protofutebol ganhou forma na Europa medieval. O folk football e a soule eram práticas populares que juntavam centenas de pessoas e amiúde acabavam com pernas quebradas, afogamentos e olhos arrancados. Durante vários séculos, essas rudes partidas foram o divertimento favorito dos povos britânico e francês. Porém, onde uns viam um passatempo e uma maneira de resolver brigas entre vizinhos e aldeias rivais, outros viam um atentado à ordem pública, o que levou à proibição destes jogos por diversas ocasiões ao longo dos séculos. Todavia, a paixão pelos pontapés no esférico prevaleceu em Inglaterra e, em meados do século XIX, as leis do jogo foram codificadas e uniformizadas: assim nascia o futebol.

Surgiram os primeiros clubes, associações e campeonatos e, com tanto entusiasmo em redor deste novo desporto, a febre do futebol alastrou-se pelo Velho Continente e acabou por contagiar o mundo inteiro. Foi, porém, longe da ribalta que se realizaram as competições que este livro se propõe a estudar, como, por exemplo, o Campeonato do Mundo de Futebol Operário anti-fascista de 1934, os campeonatos inter-gulags na Sibéria, os Jogos da Amizade Africana dos anos 60, o primeiro Campeonato da Europa das Nações de Futebol Feminino e o Peladão, o gigantesco torneio de futebol amador da Amazónia, em que “os cartões amarelos podem ser apagados se os jogadores se comprometerem a comprar bolas para crianças desfavorecidas”.

Embora o futebol tenha também sido usado por ditadores como instrumento de propaganda e domínio das classes populares, o autor Mickaël Correia destaca o distinto papel do desporto-rei enquanto “válvula social” e movimento anti-autoritário. Nesta obra, que cobre os quatro cantos do mundo, há espaço para a causa republicana do FC Barcelona, a luta contestatária do Spartak de Moscou, os “milagres” de Maradona, a teoria política de Sócrates (o futebolista) e as subculturas do futebol, desde os hooligans aos Ultras da Primavera Árabe.

Tendo em conta a origem conturbada deste desporto, “Uma História Popular do Futebol” prova que os jogadores e adeptos do esférico herdaram dos seus antepassados futebolistas o talento para o associativismo e espírito de resiliência – esta é a outra face da modalidade, que se joga no campo político e social. Apesar dos avanços do mercantilismo, a cultura do futebol popular ainda não pendurou as chuteiras e ainda hoje dribla interesses económicos, finta regimes repressivos e coloca a injustiça e desigualdade em posição de fora de jogo.

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