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Poeta no vale do Ceará-Mirim I

Colaborador de Navegos faz garimpagem prodigiosa na cultura do Ceará-Mirim, descobre e revela detalhes sobre a passagem do poeta Thiago de Mello pelo vale de verdes canaviais.

*José Vanilson Julião

No começo da madrugada da sexta-feira (19), na sombra da noite escura e no reflexo do celular, encontro uma “carta aberta” de Manuel Virgílio Ferreira Itajubá (Natal, 1877 – Rio de Janeiro, 1912) para o também poeta macaibense Murilo Aranha (1890 – 1919).

O elogio do primeiro numa edição do “Diário do Natal” (1909), um dos dois com este nome em Natal, sem o “de” daquele que pertenceu ao grupo “Diários Associados”.

Lá por volta das 4 horas três áudios do editor Franklin Jorge, com a primeira gravação ecoando o canto de um galo (pura coincidência desvendada a seguir. Por isso peço atenção do leitor).

Certamente despertado pelo meu modesto pendor de descobrir assuntos sem importância nesta mina a céu aberto – o vasto conteúdo de informações espalhado pela internet – deu-me uma missão inesperada e investigativa.

A fixação compreensível para um escritor do naipe de Franklin Jorge, encontrar subsídios da visita do poeta amazonense Amadeu Thiago de Mello (31/3/1926), com quem conviveu intimamente durante permanência acreana, a Paraíba e ao RN (1955).

O escritor da Região Norte fora convidado pelo advogado, usineiro, político e escritor paraibano Odilon Ribeiro Coutinho (Santa Rita, 12/6/1923 – Rio, 7/7/2000) para temporada em João Pessoa na última quinzena de maio daquele ano.

A viagem, inclusive, é alvo de nota na coluna da mulher de Thiago de Mello, a jornalista Pomona Politis Rantos (15/3/1923 – 28/8/2013), uma espanhola de sangue grego, no diário carioca A Noite, depois Última Hora, Diário de Notícias” (1970) e por último em “O Globo”.

Casam em 1951 e no ano seguinte veio o filho Alexandre Manuel Thiago de Mello (Petrópolis, 21/2/1952 – Rio de Janeiro, 27/10/2004), o “Manduka”, que começou a carreira artística de compositor e ator (1971) convidado pelo cineasta Glauber de Andrade Rocha (Vitória da Conquista, 14/3/1939 – Rio de Janeiro, 22/8/1981) para o inacabado “A Estrela do Sol”.

O próprio Thiago de Mello anuncia a viagem na coluna “Contraponto” do diário vespertino “‘O Globo”. O périplo do intelectual nascido na comunidade Bom-Sucesso, município de Barreirinhas (331 quilômetros de Manaus), se estende por três dias ao vale, dois deles, na Ilha Bela, e o último na capital.

A curiosidade sobre a estadia de Mello, ciceroneado por Coutinho, não é de agora. As citações sobre o evento turístico na imprensa potiguar ocorrem apenas por duas pessoas, justamente o insistente Franklin, e articulista Antenor Laurentino Ramos neste Navegos (ver postagem recente).

Acredito que a incumbência sai a contento. Apesar de não vislumbrar indício da estadia de José Lins do Rego. Identifico cinco colunas, com os títulos entre parênteses, nas seguintes edições de “O Globo”: quinta-feira, 19/5 (“Conversa de quem vai navegando”), quarta-feira, 1/6 (“Os bichos de Zé Lopes”), quinta-feira, 2/6 (“Chuva no milharal”), sexta-feira, 3/6 (“Cana pendoada”) e quinta-feira, 9/6 (“O tamarindo de Augusto dos Anjos”).

Para que o leitor não diga que o apelo acima não foi em vão: na primeira crônica sobre o vale dos verdes canaviais Mello discorre sobre o quintal da casa grande e, portanto, o assunto são aves (galinhas, patos e gansos). E a personalidade das penosas. Para o humano do título sobram no máximo três linhas.

Odilon, deputado federal pelo RN no começo dos anos 60, era diretor da Usina do empresário pernambucano Ubaldo Bezerra de Melo (Recife, 1894 – Natal, 1974), que chegou a ser nomeado interventor no estado (1946/47). Mas com a tradição de engenho desde o controle do coronel José Félix Varela.

Destaco Franklin:- Quando embarca para Barreirinha pergunto sobre a admiração por Juvenal Antunes. Durante a permanência em Rio Branco, Thiago prova o afeto pelo poeta norte-rio-grandense que morreu não de cirrose, mas de polinevrite, ao contrário do que se difundiu por todo o Acre.

Talvez esse interesse seja lembrança da temporada na terra do autor de “Elogio da Preguiça”, poema humorístico. Á sombra do busto de João Pessoa, num sábado à noite, contou sobre os dias de despreocupação na Ilha Bela, onde se descortinava o Vale cantado por Nilo Pereira.

A casa na colina onde divisava estrelas e discernia os sortilégios da noite suave e imemorial. Durante o dia percorria a cavalo o Vale familiar a Juvenal, nascido no engenho Outeiro, imortalizado nas memórias da irmã Maria Madalena Antunes Pereira, escritora injustamente esquecida.

Lá, Thiago (descendente de nordestinos) come a coalhada, feijão verde e descobriu ou inventou que a chuva, sobre o extenso milharal, era misteriosamente azul e estalava sobre os feijões em flor.

 

FONTES

A Noite

Diário Oficial da União

O Globo

Barão de Ceará-Mirim

Brazilian Nuggets

Fundação José Augusto

História e Genealogia

 

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