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O que você não sabia sobre o Bolero de Ravel

Popularizado pelo cinema, como leitmotiv do filme Retratos da vida, de Claude Lelouch, o conhecido e contagiante Bolero de Ravel tem uma história pouco conhecida, aqui reportada por um dos mais brilhantes Colaboradores de Navegos.

*Francisco Alexandro Alves

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“Muito chata”, foi assim que Maurice Ravel classificou sua obra mais conhecida, a Tempi di bolero, moderato assai (Tempo de bolero, muito moderado), ou simplesmente, como ficou conhecida, Bolero, estreada em 1928.

A dançarina Ida Rubinstein havia pedido ao compositor uma nova composição para que ela a usasse em um novo balé, daí nasceu essa peça que, de tão original, acabou migrando para as salas de concerto e é muitas ouvida sem dança. O balé em si é o seguinte: uma mulher chega em um bar e encontra homens apáticos, e então inicia uma dança, bem devagar, muito devagar e que aos poucos vai num crescendo de dinâmica e com isso, todos os homens já estão dançando junto com a mulher, como não podia deixar de ser, a peça causou um pequeno escândalo devido à natureza sensual da proposta coreográfica de Bronislava Nijinska, célebre bailarina russa habituada a estes tipos de intempéries.

Há muitos vídeos no You Tube disponíveis do balé, mas o mais famoso deles é com o bailarino Jorge Donn com coreografia do francês Maurice Béjart, aliás, contemporaneamente, é preferível a coreografia francesa à original russa. Esta coreografia tornou-se ainda mais popular devido ao seu uso no filme Retratos da vida (Les uns et le autres), de Claude Lelouch, onde o próprio Jorge Donn dança em uma das cenas mais memoráveis e inesquecíveis do cinema.

A música em si é, na verdade, um estudo de orquestração e dinâmica, que muitas vezes é chamada de o maior crescendo da história da música. Inicia-se com um ritmo ostinato (na música, ideia rítmica, melódica ou harmônica repetida à exaustão sem a mínima mudança), pela caixa, esse ritmo não cessa até que a música termine, é uma tarefa ingrata para o percussionista, pois fica 17 minutos, numa performance padrão, batendo o mesmo ritmo sem parar um só compasso.

Então, aos poucos e suavemente, vão entrando os outros instrumentos da orquestra. Eles executam apenas duas melodias, que por vezes é comum imaginar tratar-se de apenas uma. Esse ritmo e essa melodia, repetidos ad nauseam, geram um efeito de hipnose em quem escuta. É melodicamente e ritmicamente monótonos, mas em termos de orquestração, não. E é exatamente por isso que a música permanece. Pouco a pouco cada instrumento da orquestra vai surgindo, com seus timbres e suas cores características. Alguém pode afirmar: “só isso”! Porém ninguém fez isso antes.

A ordem dos instrumentos é a seguinte:

1.Base rítmica inicial: Caixa + cordas em pizzicato (pizzicato significa dedilhado) 2. Flauta 3. Clarineta 4. Fagote 5. Clarineta piccolo 6. Oboé d’amore 7. Flauta + trompete com surdina (surdina é quando se tampa a abertura de qualquer instrumento de sopro para modificar o som) 8. Saxofone tenor 9. Sax sopranino + sax soprano 10. Trompa + Piccolo + Celesta 11. Oboé + Oboé d’amore + Corne inglês + Clarinetas 12. Trombone 13. Madeiras 14. Entram os primeiros violinos 15. Todos os violinos + sax tenor 16. Entram os trompetes e as violas 17. Entram as cordas graves 18. Todos fortíssimo (duas caixas) 19. Coda: gongo + prato + bumbo. Quando forem apreciar a obra, notem o efeito mágico, onírico, que Ravel consegue com o acorde de trompa, piccolo e celesta (número 10), é encantatório. Como a música não se enquadra em qualquer forma da música, Ravel ficou com problemas para terminar. Como concluir uma peça que se trata de melodia repetida e repetida sem mudança? Ele poderia continuar ad infinitum a música, como uma espécie de moto perpétuo.

Aí então ele teve a ideia de fazer uma coda. Coda, que é uma palavra italiana que significa cauda, na música se refere a passagens que quebram com o que estava sendo ouvido e preparam repentinamente a obra para conclusão. É o que acontece no Bolero quando entram o gongo + prato + bumbo (número 19), a sensação é como se estivéssemos despertando de um sono repentinamente, porque nessa caso, Ravel muda o ritmo e põe uma nova célula musical, que dura pouco, e conclui a música. O sentido por trás disso seria que com todos os instrumentos da orquestra apresentados, nada mais há senão concluir, mesmo que de supetão, a obra.

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