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O perigo mora ao lado

Professores acreanos abordam em artigo a violência sexual infantil e juvenil, um problema que preocupa a sociedade brasileira

*Joelma Ferreira Franzini e Higor Vieira de Araújo

O texto a seguir é um modesto alerta sobre essa tão dolorosa e chocante ferida que é o abuso sexual de crianças e adolescentes. Traz em suas poucas linhas algumas informações sobre o assunto e sugerimos a todos os leitores que recorram às fontes cabíveis a fim de estudarem e conhecerem melhor esse tema, como forma de informação e prevenção!

Infelizmente, a grande maioria dos episódios de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre em casa e as notificações desses crimes, apesar de haverem aumentado muito nos últimos anos, está longe de ser o número real, pois a maioria dos casos não são denunciados. O pior de tudo, é que os agressores, em sua esmagadora maioria, são pessoas do convívio das vítimas, geralmente os próprios familiares, que podem repetir o abuso bem mais de uma vez.

Dentre as violências sofridas por crianças e adolescentes, o tipo mais notificado é o estupro. As meninas compõem a maioria das vítimas de violência sexual e com elas ocorrem em torno de (75%) dos casos. Entretanto, o descalabro também ocorre muito contra os meninos, em torno de (25%), e fique atento pois eles são os mais violentados dentro das escolas.  Por incrível que pareça, as crianças de um até cinco anos também são muito atacadas, chegando a mais da metade dos casos.

Os estudos apontam que os homens são os principais autores de violência sexual tanto contra crianças quanto com adolescentes. Nos casos envolvendo adolescentes quase o total dos agressores eram do sexo masculino. Nos casos envolvendo crianças pequenas, em torno de 80% dos agressores são homens e 20% de agressões sexuais é cometido por mulheres.

Mas quem são esses agressores? Infelizmente, os atacantes costumam ser o pai, padrastos ou parentes como irmão mais velho, tio, primo, avô e até o padrinho. Além disso há inúmeros casos de bebês que são violentados diariamente. Outra questão assustadora é o fato de algumas mulheres se tornarem cúmplices do crime por não acreditarem nos filhos, a mãe diz que a criança está inventando aquilo ou ainda existem situações em que mães culpam a criança pelo ocorrido. Não podemos esquecer que as mulheres também praticam esses abusos.

A família precisa vigiar a criança continuamente e desconfiar quando algum adulto cria situações para ficar sozinho com a criança ou lhe faz muitos agrados pois o agressor tenta parecer bonzinho e ganhar a confiança de todos. É preciso orientar a criança para que ela entenda que não pode deixar ninguém tocá-la nas regiões íntimas, explicando que algumas partes do corpo são especiais.  Oriente a criança que ela também não pode tocar os órgãos genitais de outras crianças e/ou adultos. Os filhos precisam saber que devem contar aos pais imediatamente se alguém tentar isso.

Lembrem-se: os abusadores, por serem próximos, ameaçam e intimidam a criança à não contar nada pra ninguém, dizendo que a família não vai acreditar nela, fazendo-a se sentir suja, insegura e culpada pelo ocorrido. E por incrível que pareça, de fato, muitas famílias culpam as crianças pelo ocorrido…

Então, antes de entrar na história propriamente dita, alertamos, mais uma vez, que o bicho papão e o lobo mau podem estar morando dentro de casa ou bem ao lado!

O primeiro cacho da bananeira

O caso que relataremos a seguir, ocorreu na família do Compadre Giz.

Compadre Giz morava no ramal da Samaúma. Tinha esse apelido por dois motivos: primeiro porque possuía vinte filhos com a esposa e era compadre de quase todos os colonos do local; segundo porque era tão branco que chegava a ser quase albino, como o giz que os professores utilizam nas escolas. Tinha os olhos muito azuis e os dentes muito pretos, pois mascava tabaco. Era falante, entendia das coisas e gostava de frequentar a igrejinha do ramal junto com a mulher e a filharada, quase toda composta por meninas, apenas o filho mais velho e o caçula eram homens.

O filho mais velho já morava na cidade tinha muito tempo, era balconista em uma farmácia e possuía a própria família. Já o caçula, de uns dois anos de idade, havia nascido com deficiência mental, provavelmente pela idade avançada dos pais, ela com seus cinquenta anos e o Compadre Giz já deveria estar pelos idos do sessenta.

Um fato que chamava a atenção sobre a família, era que o casal já possuía vários netos pois todas as filhas em tenra idade ficavam grávidas e logo a seguir eram expulsas de casa. Sempre que a menina menstruava, com doze ou treze anos de idade, aparecia grávida e o Compadre Giz, homem muito severo e rígido expulsava a pobre para fora de casa, deixando-a a própria sorte. A esposa, sempre calada e tristonha, não emitia nenhuma opinião sobre essa sucessão de coisas, mantendo apenas o olhar de passividade e resignação.

Sabia-se que o Compadre Giz, em sua rigidez de pai, espancava frequentemente as filhas meninas, e a vizinhança comentava que essas surras era pra por “moral de pai”, na tentativa de evitar que a próxima mocinha também ficasse prenhe assim como todas as irmãs mais velhas.

Um dia, houve uma missa no ramal e a população de colonos daquela região estava toda presente. Compadre Giz e a filharada não poderiam faltar. Ainda tinha em casa cinco filhas mais o menininho caçula. O homem gostava de ajudar nas leituras do folheto da missa, pois tinha muito orgulho de saber ler, coisa proibida para as próprias filhas pois afirmava que “lugar de mulher é em casa”. A vizinhança tinha pena das meninas, mas acreditava que esse pai agia assim por causa do trauma de ter tantas filhas desnaturadas, que logo cedo, saíam a procura de homem e de barriga…

Quando terminou a missa, aconteceu de a Neide, menina de treze anos, se agarrar na batina do padre e começar a chorar. Quanto mais se tentava acalmar a menina, mais ela chorava. Cochichava que havia pecado e precisava se confessar. Compadre Giz ficou logo furioso, pegou a filha pelos cabelos e queria espanca-la ali mesmo, sendo impedido pelo sacerdote.

A Irmã Fátima, uma freira de meia idade que sempre acompanhava o padre nas missas naquele ramal, puxou a menina num canto e começou a cochichar com a garota. Ao final dessa conversa de pé de ouvido, anunciou convictamente a todos os presentes, que levaria a menina consigo. O padre parecia surpreso e ninguém entendia nada. Mais e mais furioso o Compadre Giz ficava…

A mãe da menina já chorava alto em um canto e o padre junto com o povo, compreendeu que alguma coisa muito séria ocorria naquele lugar. De súbito a Neide gritou:

– Estou grávida do meu pai!!!

Um silêncio mortal tomou conta do recinto. Apenas o Compadre Giz rompeu o silêncio, dando bofetadas no rosto da filha, chamando-a de mentirosa safada, dizendo que a menina devia ter ficado grávida de qualquer vagabundo e agora punha a culpa nele!

Mas todos olhavam para o homem, que estava mais branco e pálido do que nunca. Um pensamento percorria a cabeça dos moradores locais pela primeira vez. Como essa menina havia ficado grávida se não saída de casa nem para ir à escola? Bem verdade que as outras irmãs mais velhas também não saíam da biqueira de casa para nada…

O padre olhou para a mãe da menina que chorava copiosamente. A mulher fez um pequeno aceno com a cabeça confirmando a afirmação da filha. Então, o padre pegou a mulher e todos os seus filhos e encheu seu carro que ficou igual uma lata de sardinha e partiu para a cidade. Compadre Giz sumiu na escuridão da noite em direção à sua casa e o povo, pasmo e devagarinho, foi saindo para suas colônias.

No outro dia cedinho uma viatura da polícia passou pelo ramal em direção à casa do Compadre Giz. Estava vazia. O Homem havia fugido durante a noite. Foi encontrado, três meses depois, em um garimpo próximo à Porto Velho.

A esposa e a filha Neide contaram tudo para a assistente social. O pai, assim que a filha menstruava, a estuprava repetidas vezes até a garota engravidar e depois a expulsava de casa. Espancava as filhas e a esposa para que ficassem caladas e ameaçava matar a mãe das meninas se elas contassem o fato para alguém. A Neide só teve coragem de contar porque na noite anterior, ao se levantar de madrugada, bem quietinha para ir fazer xixi, viu pela fresta da parede de tábuas o pai alisando os órgãos genitais do menininho deficiente, que dormia na rede. Não queria que aquilo acontecesse com o irmãozinho tão indefeso…

Quando foi interrogado pela polícia, Compadre Giz se justificou com um sórdido ditado muito utilizado por pais abusadores, alegando ser um direito natural seu tirar a virgindade das filhas:

– Não vou plantar bananeira para não comer o primeiro cacho!

 

 

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