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O novo jornalismo e o bom jornalista

Colaborador de Navegos, jornalista e expoente do Movimento Conservador, jornalista gaúcho escreve sobre as transformações, inovações, evoluções e o protagonismo das redes sociais que acabaram com a figura do leitor passivo.

*Ianker Zimmer

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Devido aos avanços na tecnologia, com a propagação da internet e suas facilidades móveis cada vez mais difundidos no dia a dia das comunidades, muitos veículos de comunicação passaram a atuar multiplataforma, com os jornais não mais sendo reféns da versão impressa, passando para o mundo digital. Você conhece algum jornal importante que não tenha um site oficial com conteúdo? Dentro da nova esfera virtual, as mídias sociais, por exemplo, assumiram  um papel de protagonismo no jornalismo atual, servindo como plataformas de difusão de notícias para os veículos de comunicação, que disponibilizam nas redes seus conteúdos previamente publicados em seus sites. Assim, há o tão falado “clique” e o redirecionamento ao site, que também oferece outros hiperlinks  com mais conteúdos.

Ao longo dos tempos, o jornalismo passa por transformações, inovações, evoluções. Um exemplo clássico disso foi o surgimento da televisão no Brasil, nos anos 1950, com Assis Chateaubriand colocando em risco o rádio, em sua plena “era de ouro”. Contudo, o tempo provou que o meio radiofônico não ficaria obsoleto por causa da televisão: ele apenas teria um novo concorrente. O professor, pesquisador e autor Juarez Bahia (1990) afirmou em um de seus estudos que o jornalismo é, justamente, resultado de grandes transformações históricas da imprensa e da sociedade, o que explica tais mudanças. Bahia também garante que, independente do formato ou plataforma utilizada atualmente, o objetivo do jornalismo segue sendo proporcionar informações e notícias de forma periódica às comunidades, ou seja, ou ele perde sua essência.

Entretanto, as transformações pelas quais o jornalismo passa ao longo dos tempos ocorrem paralelamente às mudanças sociais. O jornalismo digital, por exemplo, possibilita um avanço no quesito participação do público: o consumidor deixa de ser passivo no processo e assume um papel ativo dentro de uma interatividade jamais vista antes da propagação da internet. Com isso, os consumidores de conteúdo passam para um novo patamar e se tornam mais exigentes.

Tecnicamente, esse fenômeno pode ser melhor entendido com o autor e professor Nilson Lage que, observando o processo histórico de mudanças do jornalismo no Brasil, concluiu que as transformações urbanas criaram uma nova classe ascendente de leitores cada vez mais “avançados” e “modernos”. Ou seja: os leitores   (consumidores de informação) estão cada vez mais exigentes – e isso ele disse em 2001, antes do surgimento das redes sociais, o que amplifica o processo.

O consumidor de informação dos dias atuais ao receber ou visualizar um link de notícia de algum veículo de comunicação ou blog de notícia, lê (ou não), e, tendo alguma dúvida ou discordância quanto ao conteúdo, busca outras fontes para checar essas informações (o que é papel crucial do jornalista). Algumas vezes esse consumidor compara como a mesma notícia é publicada por diferentes veículos em suas respectivas plataformas na internet.

Esse fenômeno social-digital obriga o jornalista a ser mais preciso, mais atual, mais didático e, quando o gênero jornalístico for a notícia, ser o mais imparcial possível. É errôneo imaginar que o jornalista não deve manifestar opinião. Muito pelo contrário, a opinião é um dos gêneros essenciais do jornalismo, como podemos ler nos estudos dos especialistas nesse tema José Marques de Melo (1943-2018) e Luiz Beltrão (1918-1986), que em 1980 definiu a opinião como uma “função psicológica, pela qual o ser humano, informado de ideias, fatos ou situações conflitantes, exprime a respeito seu juízo”.

Já a notícia é o pilar principal do jornalismo, ao mesmo tempo que a veracidade é um dos pilares da notícia. Juarez Bahia (1990) definiu a notícia como o “objeto e o fim” do jornalismo. Ou seja, no jornalismo, tudo passa pela notícia, pois é nas redações dos jornais e nos meios de comunicação que ela “adquire conteúdo e forma, expressão e movimento, significado e dinâmica para fixar ou perenizar um acontecimento, ou para torná-lo acessível a qualquer pessoa”. Assim, portanto, o jornalismo constitui-se como “difusor” da notícia.

Sintetizando: a opinião é fundamental, mas não pode estar travestida de gênero notícia. Os dois gêneros devem caminhar juntos, mas jamais a notícia pode se confundir com opinião. O ideal é clássico estilo americano – e um dos meus preferidos -, com a notícia seguida da opinião, seja no jornal, no rádio, na televisão ou na intenet. Esse formato é o mais profissional e honesto possível, pois oferece conteúdo seguido de crítica para reflexão. Há outros gêneros jornalísticos que podem, também, mesclar informação com opinião, como nas reportagens interpretativas, por exemplo, em que a narrativa expõe um misto de fatos com o feeling do repórter. O artigo (outro importante gênero jornalístico), citando outro exemplo, também é um misto de informação com opinião. Mas na notícia, não: ela é sagrada e deve ser pura e exclusivamente focada nos fatos.

Notícia é notícia e opinião é opinião há muito tempo, mas na era da revolução digital com tanto engajamento e interatividade dos consumidores de conteúdo, fica explícito quando não há distinção entre ambos. E o bom jornalista precisa ser capaz de entender isso, pois, do contrário, cai na malha fina do novo público consumidor de notícias que, como definiu Nilson Lage, é cada vez mais avançado, moderno e exigente.

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