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O mistério da criação

Fundador de Navegos professa o valor da crítica como uma ferramenta de trabalho para o criador de obras significativas.

*Franklin Jorge

É comum ouvir-se da boca de literatos e artistas as piores coisas sobre o exercício da critica. Creio, porém, que estão equivocados, pois a meu ver a critica é uma das principais ferramentas do trabalho literário e artístico. Sem crítica, estagnamos.

De minha parte, devo dizer que jamais abri mão de sua colaboração, pois ainda muito jovem percebi o papel que ela desempenha nesse processo, ao manifestar-se, em primeira instância, como autocrítica. Por isso, reconheço o que Cassiano Ricardo, Mauro Mota, Almir Borges, Leila Míccolis, Alcyone Abrahão, Jarbas Martins e Márcio de Lima Dantas fizeram por mim, segundo a lição de Pound, ao criticarem em detalhe um determinado texto meu. Aprendi com eles, assim, que nenhum trabalho honesto é fácil e que a arte exige uma longa e interminável paciência.

Insisto, pois, sobre a relevância da critica para o artista cônscio do que cria. No meu caso pessoal, ela começa com a autocrítica, talvez a única forma eficaz com a qual podemos contar para nos ajudar nesse ofício de lidar com as palavras, para Carlos Drummond de Andrade, a luta mais vã,

                                       No entanto lutamos,

                                       Mal raia a manhã…

A ojeriza que alguns artistas têm da critica resulta, pois, a meu ver, dum equivoco. Melhor dizendo, dum excesso de amor próprio que distingue especialmente o medíocre que se deixa guiar pelo umbigo e não pela razão, ignorando assim a grande lição de Rilke, que percebeu que o poema se faz com palavras, não com sentimentos. Como o resultado dum esforço da inteligência, o poema deve mais ao trabalho intelectual do que à inspiração, que tem a sua importância – não o nego –, mas somente num estágio preliminar da criação. O verdadeiro trabalho do artista começa com a reelaboração que Marcel Proust chamou de o “verniz dos mestres”.

Picasso sabia o que estava dizendo quando afirmou que a arte se faz com dez por cento de inspiração e noventa por cento de expiração. É verdade que alguns poemas nascem prontos, ou seja, dispensam o trabalho de reelaboração – a reescritura –, mas trata-se de um fenômeno que, por sua raridade, não pode servir de regra para nenhum artista, especialmente para aquela espécie de artista que busca em tudo a qualidade ou a perfeição, se a queremos chamar assim.

Quando afirmou que os livros nascem dos livros, Baudelaire queria dizer-nos que, sob cada frase que escrevemos há toda uma cultura a dar-lhe o suporte necessário para que a obra seja eficaz.

Toda atividade requer uma cultura e uma técnica que lhe são próprias e necessárias, e, para a sua obtenção, faz-se necessário o processo de aprendizagem, um exercício que requer concentração, paciência e reclusão, três virtudes geralmente ignoradas pelo vaidoso diletante que se compraz na satisfação do próprio ego e não percebe que em tudo, até mesmo na confecção de uma porta, de uma sandália, de um computador ou de uma suculenta feijoada, há uma técnica que não pode ser queimada nem preterida simplesmente pela auto-suficiência vaidosa que domina o medíocre.

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