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O fim do castrismo

Considerado um ‘não-país’, como resultado da terrível ditadura imposta a ferro e fogo por Fidel Castro, Cuba agoniza miseravelmente após 63 anos de tirania.

*Jorge Hernández Fonseca

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Cuba sofreu longos 63 anos de castrismo carnívoro, puro e duro, que  por motivos políticos cobrou extensa conta de centenas de milhares de presos políticos, milhares de fuzilados e milhões de exilados. A essa pesada conta social se soma outro desatino: o desastre econômico, uma ilha rica e próspera transformada em um “não país”.

Cuba desenvolveu historicamente uma forte indústria açucareira e agrícola, que lhe valeu o status de principal fonte exportadora desses produtos durante boa parte do século 20, até que a ineficiente administração Castro tornou-a um produtor pobre que não consegue, hoje, atender sequer o consumo do país. Secou-se, assim, sua principal fonte de riqueza e divisas, com o que Cuba ficou sem um negócio lucrativo para sustentá-la.

O castrismo colocou suas esperanças em dois setores: a escravidão dos médicos cubanos e o turismo. A moeda que a ditadura rouba dos médicos-escravos, só serve para “lagosta de Mariela” e enriquece Raúl Castro e seus generais. O turismo não funciona há três anos devido ao aparecimento de sucessivas ondas da pandemia que ainda sofremos. Isso e a dolarização da economia, seguindo a receita que permitiria à Venezuela respirar.

Em Cuba, como resultado, a ditadura não tem economia para compras internacionais, ficando incapaz de atender qualquer necessidade interna de produtos. Por isso decidiu permitir que exilados cubanos entrem no país com todo tipo de produtos, desde motocicletas e computadores a roupas e alimentos: um verdadeiro desastre, que o país paga como homenagem ao desabastecimento castrista.

Mas se tudo fosse que não há dinheiro para produtos industriais “leves”, o assunto não passaria de uma emergência temporária. O problema é que, assim como o ditador cubano destruiu a fonte de renda em moeda estrangeira para a nação cubana, o sistema de energia elétrica também foi abandonado, ignorado e substituído por uma versão atomizada de motogeradores caprichosos, hoje inutilizáveis. Não há dinheiro para comprar novas usinas e a sociedade cubana vive em um eterno apagão sem solução em nenhum momento.

Por outro lado, se Cuba fosse (como era) um país autossuficiente na produção de alimentos, as coisas seriam críticas, mas não terminais (como são agora) quando a agricultura cubana bate recordes de queda de produção. Nos últimos cinco anos enfrenta sua quase extinção, porque quase nada produz. Nestas condições, sem dinheiro, sem eletricidade, sem comida: que país é esse? Sua sociedade tem que suportar essas dificuldades apenas para manter uma ditadura parasitária de maus cubanos que não querem perder o poder e os privilégios implícitos.

Cuba, sem uma indústria açucareira, sem um sistema energético, sem agricultura, sem uma grande indústria que produza algo de valor, com um governo de uma ditadura férrea discriminatória, onde só contam os pouquíssimos militantes do partido, transformado em guardiões contra o povo, tornou-se, pela (des)graça de uma ideologia sem futuro, um exemplo “não-país”, do que não deve ser feito em nenhuma outra sociedade, por mais graves que sejam os problemas que tenha

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