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Mundo chato

Educadora, jornalista e escritora, Colaboradora de Navegos reflete sobre abusos legais que defraudam o futuro da criança num mundo globalizado.

*Nadja Lira

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As crianças de hoje, ao que parece, já não são feitas como antigamente e a culpa é da proveta. Cheguei a esta conclusão depois de ouvir várias palestras de especialistas, que defendem a ideia de que as crianças não podem levar umas boas palmadas, para não ficarem traumatizadas.

As palmadas, segundo eles, deixam as crianças mais agressivas, revoltadas podendo desenvolver o sentimento do ódio contra os pais. Não sendo trabalhado, esse ódio pode se avolumar com o decorrer dos anos levando o indivíduo a cometer algumas atrocidades, como matar os pais, por exemplo.

Com base neste discurso, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) apresentou um projeto de lei aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania  (CCJC) da Câmara dos Deputados, que “estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos…”

A deputada pediu ainda, que a lei fosse incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) alegando que “o objetivo é que seja criada uma cultura da educação através de diálogos”.

Eu não sou especialista em crianças, sou contra a violência, mas discordo deste ponto de vista utilizado para a aprovação da lei. É claro que o diálogo com os pais contribui para transformar as crianças em indivíduos confiantes e seguros, mas, mesmo nas famílias bem estruturadas emocionalmente, os diálogos nem sempre são suficientes para resolver as situações de conflito.

Acredito que a palmada é uma maneira bastante eficiente para mostrar as crianças que existem limites a serem respeitados e desde que as palmadas sejam aplicadas moderadamente. Não as considero como uma agressão imposta às crianças, mas uma forma de aperfeiçoar e fortalecer seu caráter e de ensinar a respeitar os mais velhos.

Por outro lado, existem famílias nas quais os adultos não sabem como conversar com as crianças, perdem a paciência com facilidade e o que poderia ser resolvido com uma inocente palmada, pode acabar se transformando numa tragédia. É necessário, portanto, manter a calma e evitar agir por impulso ou se deixar dominar pela raiva.

Eu também fui criança, fiz as travessuras naturais da idade e levei boas palmadas sempre que minha mãe achava que eu merecia. As minhas amigas e amigos da época também passaram por tal experiência, mas ninguém ficou traumatizado por causa delas.

Também não tenho notícia de algum dos meus contemporâneos, que depois de adulto guarde mágoa ou que cultive qualquer sentimento rancoroso contra os pais. Muito pelo contrário: eles são nossos ídolos e a eles agradecemos toda a dedicação que nos tornou os adultos que somos hoje.

É claro que não defendo o espancamento de crianças, porque estaria compactuando com um crime grave. Mas acredito que as palmadas, depois de esgotadas as possibilidades de conversas e persistindo a birra, só ajudam a mostrar que existem alguns limites e regras impostas pela vida e que estas precisam ser respeitadas. O resto do besteirol, não passa de mi-mi-mi de pessoas que apenas procuram transformar o mundo em um local muito chato para se viver.

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