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Mulher negra é vendaval

Colaborador de Navegos, jovem poeta nascido nos taboleiros de Nova Esperança, escreve sobre filme inspirado em livro que conta a história de mulheres negras do Assú.

*Pedro Henrique Farias

Nesse último sábado, 20 de novembro, o Cine Teatro Pedro Amorim, em Assú/RN, foi ocupado de forma histórica. Na ocasião, oportunamente, no dia em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, foi realizada exibição do filme “Eu, Preta: do livro para o filme da vida”, baseado no livro “Eu, Preta”, do escritor potiguar André Bisneto. O autor faz um reconhecimento ancestral de seis mulheres negras de sua família, em especial a de sua tia Isis, também conhecida como Preta.

A produção conta com o trabalho de nove artistas, sendo oito deles negros e dois sobrinhos de Preta, são eles: Imagens (Lu Nascimento e Edu Bandeira); Direção de Elenco (Bianca Cardial); Produção Executiva (Maria Ângelo); Trilha Sonora (Comedor de Camarão); Edição de Áudio (Cumpadi Caboco); Direção Geral (Edu Bandeira); Atrizes (Luane Fernandes, Eva Rocha, Geovana Coelho, Bianca Cardial).

O entrelaçamento das trajetórias de vida dessas mulheres negras desnuda aspectos estruturais que perpassam a constituição do Brasil, com destaque para as desigualdades de classe, raça e gênero. Em algumas falas das personagens é possível, claramente, ver os efeitos de uma escravidão que, longe de ter acabado, ganhou novas facetas: mães solo, a dificuldade da mulher negra no mercado de trabalho e universidade, as submoradias, o genocídio sobretudo de jovens negros. Ainda, percebe-se a presença de aspectos regionais, a exemplo do êxodo de nordestinos para a região sudeste vivenciado em maior proporção no século passado. Mas não só, essas mulheres, a base de muita resistência e teimosia, apesar de uma estrutura social que sempre as desfavoreceu, resolveram hastear a bandeira da vida, embora severina, nos moldes de João Cabral de Melo Neto.

Como na vida, a exibição também entrelaçou prosa e poesia, e teve na voz da poetisa e escritora Lidiane Cristina, filha de Preta, a declamação de seu poema “Ao amor que fica”, de seu livro “As vezes que lhe amei” (Recanto das Letras, 2018). Disse a poetisa: “Ventando estava o peito/ E de carne viva era a estrada”, desses momentos que a pele arranha e faltam caminhos, é preciso coragem para seguir os ventos do coração.

O filme inteiro contou com cenas e falas emocionantes, mas, uma das mais simbólicas, se é que pode se destacar, foi quando ao final do filme dona Preta subiu ao palco e com um gesto singelo com as mãos, convidou toda a plateia para tirar uma fotografia com ela. “Venham tirar foto comigo quem quiser”, o convite foi direcionado de forma intencional, já que as amigas de Preta da Legião de Maria, grupo da Capela de São José, localizada no bairro Frutilândia, organizaram uma lotação para prestigiá-la. Mas, foi também a periferia ocupando esse espaço de forma bela e simbólica, foi a voz negra e de mulher ecoando naquele recanto, assim como a filósofa norte-americana Angela Davis eternizou em seu discurso na UFBA no ano de 2017: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”.

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