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Modernismo em Goiás

Artista e pesquisador, Colaborador de Navegos escreve sobre a repercussão do Modernismo de 1922 em Goiás.

*Nonatto Coelho

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Quando em 1922, aconteceu a Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, idealizada por Di Cavalcante e Oswald de Andrade, aqui em Goiás, a nova capital Goiânia ainda nem existia, levaria mais 11 anos, até que o então Interventor Dr. Pedro Ludovico Teixeira, lançasse a pedra fundamental da nova capital, no ano da graça de 1933.

Em 1930 tinha ocorrido um Golpe de Estado que depusera o presidente da República Washington Luiz. Era o prenúncio do chamado “Estado Novo”, que inauguraria a era de Getúlio Vargas…

Em São Paulo, a “Semana de 22”, na data do nascimento de Goiânia em 33, já contava  também com 11 anos, desde o mítico evento que inoculou o “vírus ” do modernismo na terra da “cobra grande”, como está versado no poema épico Manifesto Antropofágico, assinado por  Oswald de Andrade, e datado “ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha”.

Na manifestação antropofágica,  Oswald de Andrade reza que “somente a antropofagia nos une socialmente, economicamente e filosoficamente”; assim, talvez, passamos compreender a importância da transitoriedade dos povos, entre os seus congêneres, através do espaço geográfico dos continentes, e do tempo, o congraçamentos das ideias na espécie humana.

Goiás, ainda tão jovem no que tange à arte visual, é  notório a importância dos trânsfugas – no sentido construtivo do termo, pessoas vindas de outras regiões, de outros centros, e em consequência disso, amalgamando seus conhecimentos às experiências dos povos locais, eis aí uma das saborosas delícias do antropofagismo no campo da arte.

O Modernismo na arte goiana, na sua essência, teve um “encontro marcado” com a chegada de um “anjo bizantino”, um padre dominicano da Igreja Católica, chamado Nazareno Confaloni (1917- 1977) no ano de 1950, proveniente da cidade de Viterbo, Itália. Vindo pra Goiás a convite do bispo Dom Cândido Penso, objetivando pintar um afresco na Igreja do Rosário na Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, e o “padre pintor”, como era cognominado carinhosamente pelos fiéis, depois de perambular pelo Estado, vem pra Goiânia em 1953, e instalado na nova capital, funda a EGBA – Escola Goiana de Belas Artes, juntamente com Gustav Ritter (1904 – 1979) e Luiz Curado (1919 – 1996), no qual, é necessário a inclusão dessa instituição como importante participação no desenvolvimento do modernismo artístico em nosso Estado – não obstante, muitos proeminentes artistas de nossa região sejam de formação autodidatas.

Também, vindo de fora, chegou em Goiânia em 1956, de São Paulo, o mestre DJ de Oliveira (1932 –  2005), esse já com larga convivência junto à alguns dos grandes nomes da segunda geração de modernistas de São Paulo, tais como Clóves Graciano (1907 – 1988), Francisco Rebolo (1902 – 1980) e Alfredo Volpi (1896 – 1988) e plasmou na capital como substâncial muralista,  gravurista e pintor,  além de professor de uma importante geração de artistas locais,  deixando uma extraordinária contribuição ao modernismo em Goiás.

Ainda podemos citar vários outros artistas de solar atuação no nosso modernismo, e dentre tantos talentosos artistas, é inegável  a contribuição do mineiro Cleber Gouvêa (1942 – 2000), chagando em Goiânia no início da década de 60, se destaca na nossa ainda muito jovem história da arte local, e atuando como professor de pintura na Faculdade de Arte da Universidade Federal de Goiás – UFG, deixa um legado como mestre, e também como pintor com tendências geométricas e orgânicas, sem perder o foco na figuração.

Na cronologia de importantes fatores culturais em nosso meio, no qual, convergem sedimentações culturais e artísticas que auxiliam os entendimentos da nossa ainda jovem história da arte, é importante citar o Congresso de Intelectuais que aconteceu de 14 à 21 de fevereiro de 1954, aportando  na jovem capital do Estado de Goiás, mais de 300 personalidades da cultura nacional e até internacional, como o próprio Pablo Neruda, além de nomes das artes plásticas do calibre de um Alfredo Volpi, Djanira, Osvaldo Goeldi, e de tantos outros importantes nomes da cena artístico/cultural da época.

Dos postulados que os modernistas, na sua ousada atitude de “decretar” uma intervenção estética no país, havia no bojo, algumas das correntes mais divulgadas desde o surgimento dos impressionistas na pintura francesa do final do século XIX,  dessas rápidas sucessões de ISMOS, que no espaço/tempo de um século passou pelo Pontilhismo, Fauvismo, Cubismo, Futurismo, etc. até as mídias contemporâneas, aportando também em Goiás na esteira do mundo globalizado, todas essas informações já inseridas no cotidiano de nossos artistas, fazendo desse Estado, um laboratório de ricas experiências cromático/formal onde a arte visual e paravisual é uma realidade da nossa pós modernidade. Ou seria pós-humana?

A AGAV – Associação Goiana de Artes visuais – formada por uma plêiade de artistas que apresentam e representam muitos dos estilos da criação prepostas pelos modernistas, presta um tributo aos 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, se inserindo, opinando formal e legitimamente na discussão, no “inventário” desse evento que mudou para sempre a história cultural do país. Somos parte inexorável dessa realidade concreta.

Parte do contingente de artistas da agremiação AGAV,  no total de 31 demiurgos vão participar da mostra 100 ANOS DEPOIS, com trabalhos inéditos, feitos especialmente para essa ocasião.

Fotos Frei Nazareno Confaloni, pioneiro do ensino da arte moderna em Goiás; DJ Oliveira e Cleber Gouveia.

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