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Jardim terápico

Disse Bacon, a quem se atribui erroneamente a obra de William Shakespeare, que quando Deus quis fazer o Paraíso, fez um Jardim. Estava certo. Não há nada mais próximo do Paraíso do que um jardim, exceto uma biblioteca, como defendeu Jorge Luís Borges.

*Franklin Jorge

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Nosso minúsculo jardim – que se transformou em uma manifestação de criatividade e terapia, chama a atenção de quem passa por nossa rua, que seria bem melhor se não tivesse uma furiosa e barulhenta matilha de cães que o seu dono costuma solta-los, para passear, sem coleira, causando-me pânico e temor. Já por duas vezes, quando menino e rapazinho, fui mordido por cães que me deixaram traumatizado. Preferia antes ter meus pés de infante continuamente queimados pelos cigarros de minha babá Aurélia de Porfiro e seu namorado, quando menino de colo, em Lages, a sofrer mordidas de um cão.

Mas voltemos ao nosso jardim. Além das florífelas – algumas raras como a Dama da Noite – temos também frutíferas e já produzimos no pomar que fica nos fundos, melancia e uma batata doce que pesava mais de cinco quilos e despertou curiosidade e espanto. E era dulcíssima. E durou durante vários dias sobre uma bandeja de prata que me foi presenteada por Dona Adélia, do Ceará-Mirim, que me disse que pertencera ao serviço de minha avó materna, que se viu obrigada a se desfazer de muita coisa quando enviuvou e enfrentou adversidades que nos marcaram.

Por vários anos cultivei um velho sonho de, na velhice, passar a dedicar-me à agricultura de subsistência ou familiar, como se diz agora. Queria plantar minha própria comida e criar algumas galinhas poedeiras, para ter ovos e proteína. Imaginava vender o excesso para ter algum dinheiro para manter meu site Navegos e colaborar com empreendimentos como a fabricação de canecas personalizadas, estampadas por nossos grandes artistas, bolsas e camisetas, além da publicação de meus livros que somam mais de 50 títulos inéditos, dos quais pretendo publicar em breve O verniz dos mestres – dezesseis ensaios mínimos sobre minhas leituras de Proust – e O negro nos escritos de FJ, já prontos para publicação.

Mão quis usar o jornalismo para enveredar-me pela carreira do crime e, como Candide, optei por cultivar um jardim que me enche de prazer e contentamento, ao sentir-lhes o aroma e acompanhar o voo das abelhas e dos beija-flores a sugar-lhes o néctar. Às vezes, durante a noite, levanto-me só para admira-las e aspirar o ar noturno do orvalho rejuvenescedor. Duvido que muitos outros possam se dar a esse luxo prodigioso.

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