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Fé, foco e disciplina?

A partir de livro de professor de conceituado instituto de tecnologia norte-americano, articulista de Navegos afirma que, para ser bem-sucedido, o indivíduo tem que contar com o acaso – ou aleatoriedade –; ele também questionam a literatura de autoajuda, para o qual é apenas caça-níquel

Honório de Medeiros

Os livros de autoajuda, rico filão explorado à exaustão por alguns espertos em cima da ingenuidade de tantos, ensina que fé, foco e disciplina é a chave para o sucesso.

Fé, ou seja, crer que depende de nós chegar lá, naquele lugar almejado; foco: ficarmos circunscritos ao objetivo, à meta a ser alcançada, evitando decididamente qualquer distração que nos faça perder o rumo; disciplina, por fim, significando aquela entrega de corpo e alma, em termos de esforço, de dedicação, de renúncia, fundamentalmente necessários para se alcançar o sucesso em qualquer empreitada.

Nada mais, nada menos.

No entanto, segundo as mais recentes pesquisas em neuropsiquiatria, realizadas obsessivamente por cientistas ao redor do mundo, aliadas ao conhecimento adquirido em áreas tão diversas quanto matemática, teoria da seleção natural e estatística, demonstram que tudo isso é, em uma medida para lá de razoável, pura balela.

O que existe, mesmo, é o acaso, aquilo que o senso comum chama de “sorte”.

É o que se lê no livro “O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina Nossas Vidas” (Zahar; 261 págs.; 2009), de Leonard Mlodinow, recomendado por ninguém menos que o maior físico pós-Einstein, Stephen Hawking, acerca do fenômeno da aleatoriedade, que é o nome científico do acaso.

O autor ensina teoria da aleatoriedade no famosíssimo Instituto de Tecnologia da Califórnia, o Caltech, celeiro de cientistas premiados com o Nobel, e é autor de obras com consagrados físicos mundiais, tais como Stephen Hawking (“Uma Nova História do Tempo”) e Richard Feynman (“A Janela de Euclides” e “O Arco-íris de Feynman”).

Em “O Andar do Bêbado”, Mlodinow demonstra, por a+b, que ao contrário do que se supõe, a grande maioria dos eventos são fruto de uma combinação de fatores em grande parte aleatórios, e os exemplos elencados, minuciosos e contundentes. A análise, verossímil. As conclusões, pertinentes.

No final das contas, após a leitura do livro, que em certos largos trechos demanda um conhecimento mais profundo de matemática probabilística que poderão ser deixados de lado sem que se comprometa o entendimento do tema, o coup de grâce é o seguinte: em qualquer empreendimento nosso, consciente ou inconsciente, não temos como saber, mesmo após todo os esforços, seja de planejamento, seja de realização, qual será o resultado; com certeza, somente temos como saber que se não empreendermos, não conseguiremos.

Tudo isso em decorrência do fenômeno da aleatoriedade.

Ou seja, o esforço desprendido ao longo dos anos pela grande maioria para chegar lá no topo somente vale a pena para muitos poucos, e graças a fatores que independem de suas vontades.

É por essa razão que o autor conclui: “(…) a habilidade não garante conquistas, e as conquistas não são proporcionais à habilidade”.

E remata: “Nas palavras de Thomas Watson, o pioneiro da IBM: ‘se você quer ser bem-sucedido, duplique sua taxa de fracassos’”.

A questão é a seguinte: vale a pena tanto sacrifício?

Talvez seja por isso que, no Livro do Eclesiastes, O-Que-Sabe advertiu, logo no prólogo: “Que proveito tira o homem de todos os trabalhos com que se afadiga sob o Sol?”.

Touché!

Honório de Medeiros, advogado, é mestre em direito de Estado pela UFCE.

BEST-SELLER Capa de “O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina Nossas Vidas”, o livro notável, segundo o jornal “The New York Times” e um dos dez melhores de ciência para a Amazon.com; seu autor, Leonard Mlodinow, cita exemplos e pesquisas presentes em todos os âmbitos da vida – do mercado financeiro aos esportes, de Hollywood à medicina etc. –, para apresenta de forma divertida e curiosa as ferramentas necessárias para identificar os indícios do acaso; sobre a obra, o físico Stephen Hawking disse: “Um guia maravilhoso e acessível sobre como o aleatório afeta nossas vidas”

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