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As lições de uma autora de 100 milhões de exemplares

Leitora de Stephan King, bem sucedida autora de uma linha de montagem sob a forma de livros comercialmente consagrados, como Entrevista com o vampiro, Ana Rice, falecida ontem aos 80 anos, expõe aqui os segredos de sua técnica

*Anne Rice

Autora de Entrevista com o vampiro, com mais de 100 milhões de livros vendidos, Anne Rice está entre os escritores americanos contemporâneos mais populares. Em sua página oficial no Facebook ela dividiu com seus seguidores suas técnicas de escrita, que segue em tradução livre abaixo.

1) Use substantivos concretos e verbos de ação. Nada transmite iminência e entusiasmo como o substantivo concreto e o verbo de ação.

2) Use frases curtas e até mesmo fragmentos. Frases longas e complexas, especialmente quando preenchidas com substantivos abstratos, atrasam o leitor e até o confundem. Quebre essas frases. Ou equilibre-as com frases curtas.

3) Não hesite em escrever parágrafos de uma frase e/ou parágrafos curtos. Nunca enterre uma revelação importante, ou surpresa, ou gesto físico relevante de um personagem no final de um parágrafo. Mova isso para um novo parágrafo.

4) Pegue leve no uso de conjunções como “mas”, “e” “ainda” e “no entanto”. A prosa pode parecer fluida para você quando as usa; mas se voltar e removê-las, a prosa pode ficar ainda mais fluida.

5) Repita o nome do personagem com frequência no diálogo e na narrativa. Não escorregue em “ele” ou “ela” por longos períodos, porque muitos leitores que leem rápido terão que voltar para determinar quem está falando, sentindo ou assistindo a ação. Use os nomes próprios.

6) Seja generoso e amável com adjetivos e advérbios. Essas palavras dão particularidade à narrativa; elas à tornam vibrante.

7) Quando você se repetir, reconheça a repetição, como em “Novamente, ele se viu pensando, como tantas outras vezes…”

8) Se o enredo der uma guinada altamente improvável, reconheça isso fazendo com que os personagens reconheçam também esta guinada.

9) Ao escrever cenas de ação intensa, digamos em uma luta de espadas, uma briga física ou um confronto intenso, use o pretérito simples que intensificará a ação.

10) Lembre-se de que ao escrever um livro, você está elaborando algo que deve ser totalmente compreendido e experimentado em uma leitura, mas que resista a leituras futuras.

11) Nunca subestime a força da quebra de duas linhas. Você pode não querer um novo capítulo, mas deseja se afastar da cena. Faça a quebra de duas linhas.

12) Nunca fique preso pensando que se um personagem abre uma porta, ele necessariamente precisa fechá-la. Você está montando visualmente a cena e não precisa destacar todos os gestos. E você pode cortar uma cena em andamento.

13) Novamente os parágrafos: eles são como você prepara a página para o leitor. É por isso que eu digo para que nunca hesite em escrever parágrafos de uma linha e/ou parágrafos curtos. Você está servindo ação ou emoção quando decide fazê-lo no início de um parágrafo. E facilite as coisas para o leitor. Parágrafos longos sempre impõem mais atenção. Os olhos anseiam por uma pausa.

14) Pontos de vista múltiplos podem ser revigorantes para o leitor. A mudança do ponto de vista pode ser emocionante. E vários pontos de vista dão a oportunidade de revelar o mundo de uma maneira que um único ponto de vista não conseguiria. Livros favoritos com vários pontos de vista para mim são “Guerra e Paz” e “O Poderoso Chefão”.

15) Um único ponto de vista é a melhor maneira que um escritor tem de fazer com que o leitor se apaixone por seu herói/heroína. As limitações são óbvias; você não pode ir para “outra parte da floresta” para descobrir o que está acontecendo. Mas você tem o imenso poder de entrar nos pensamentos e sentimentos de seu campeão.

16) O ponto de vista único narrado em Primeira Pessoa pode levar o leitor não apenas ao amor profundo, mas também à antipatia profunda. “Grandes expectativas”, “David Copperfield” e “Lolita” são exemplos brilhantes.

17) Se você se sentir entediado, faça o que puder para tornar o livro novamente emocionante para você. Nunca continue construindo uma cena porque você sente que deve. Pense em outra maneira de resolver o problema que está o instigando a escrever o que não gosta.

18) Quando você se sentir cansado, pare e leia algo que lhe tonifique. As páginas de abertura do “Firestarter” de Stephen King sempre me revigoram e me mandam de volta ao teclado. O mesmo acontece com a leitura de “Executioners Song”, de Norman Mailer. Ou com a leitura de “O Poderoso Chefão”. Ou de um conto de Hemingway.

19) Continue. Lembre-se de que você deve terminar o livro para que ele tenha uma chance neste mundo. Você, absolutamente, deve completá-lo. E é claro que assim que eu termino, penso em coisas novas. Volto, vou refinando, acrescentando aos poucos. E quando paro de sentir vontade de fazer isso, bom, sei que realmente terminei.

Se essas “regras” ou sugestões não funcionarem para você, desconsidere-as completamente! Você é o chefe quando se trata de escrever.

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