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A língua

Navegos sente-se honrada de reproduzir a partir de hoje e semanalmente os escritos de um dos grandes jornalistas brasileiros, paraibano que nos anos de 1980 do século passado inseriu o jornal Tribuna do Norte na Era Moderna.

*Henrique Miranda Sá

“A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua” (Rui Barbosa)

O poeta Olavo Bilac, com sadio ufanismo, escreveu que “a Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.”

As lições que recebemos dos nossos mestres nos ensinam a amar o nosso idioma que o grande poeta e compositor Noel Rosa cantou no seu belo samba “Não tem tradução”: “Tudo aquilo que o malandro pronuncia/ Com voz macia, é brasileiro, já passou de português…”. E com isto, o professor gaúcho José Carlos Bortoloti criou o neologismo “Brasilês”.

Alguém já disse (e eu m’esqueci quem, quando e onde…) que a fisiologia humana nos deu a voz para que possamos com a língua dizer coisas amáveis a nossos amigos e duras verdades a nossos inimigos”…

Os povos antigos sabiam disto. No antigo Egito os embalsamadores de cadáveres seguiam instruções do Livro dos Mortos para deixar as múmias de boca aberta para falarem no julgamento de Osíris; e os padres jesuítas no século XVI ficaram curiosos para saber porque os guaranis punham seixos nas bocas dos seus defuntos, e ouviram algo semelhante.

Um antiquíssimo ditado reza que a voz do povo é a voz de Deus, de onde estudiosos do idioma concluíram que a linguagem coloquial é a mãe da linguagem clássica, expondo que a sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. O grande poeta Manuel Bandeira confessou: “Nunca fui um antiacadêmico. O problema é que eu gostava de tomar minhas licenças com a língua…”

Concordamos, dessa maneira, que todos escorregos são perdoados, contanto sejam escritos corretamente, estabelecendo que escrever bem é escrever claro, mas não necessariamente certo.

Ocorre, porém, que devemos evitar ao máximo permitir que a língua ultrapasse o pensamento, como aconselhava o poeta Tchecov, por que extrapolar a ideia sobre a exposição termina por criar mal-entendidos; também não se deve revoltar-se pela circunstância de usar palavras estrangeiras, hoje quase obrigatórias em função da tecnologia de ponta.

Tempos atrás escrevi um artigo, onde – recordando os meus tempos de repórter setorista na Câmara dos Deputados e no Senado Federal – lamentei que “infelizmente desapareceu na política brasileira o brilho da expressão elegante que gostávamos”; sobrando apenas a demagogia e a mentira.

Relembrando a eloquência do grande orador paraibano José Américo guardei a passagem dele, candidato a senador (acho que em 1970), discursando num comício em Cajazeiras – a cidade que é a última fronteira ao Norte do Estado – iniciou a sua fala em voz baixa, quase inaudível, quando uma pessoa na multidão gritou: – “Fale mais alto, doutor! ”…. E Zé Américo aumentou o tom de voz: – “Estou falando baixo para quê no Ceará não saibam que estou mendigando votos na Paraíba”.

É aí que a gente encontra “a magia da linguagem” que Edward Bulwer-Lytton classifica como “o mais perigoso dos encantos”, e por isto que levo a sério a observação do autor de “1984”, George Orwell, ao dizer que “a linguagem política dissimula para fazer as mentiras soarem verdadeiras e para dar aparência consistente ao puro vento”; uma verdade que temos assistido na Era da Mediocridade que o Brasil atravessa dos discursos políticos chinfrins, muitas vezes sem nexo.

A polaridade da dissimulação mostra que apesar da habilidade adquirida em anos de pelegagem, Lula da Silva confessou, de própria voz, que alterava números e estatísticas em proveito próprio; e o atual Presidente, visivelmente menos preparado do que o Pelegão, usa e abusa de mentiras, sendo reconhecido mundialmente pela mitomania.

Ambos, Bolsonaro e Lula, influenciam muitas pessoas com suas inverdades e trapaças, convergindo na ficção matemática de que as paralelas se tocam no infinito…. Mostram assim, na prática, que um só existe politicamente em função do outro.

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