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A hipocrisia dos ambientalistas

Professora potiguar questiona a incongruência entre o discurso dos países – e ambientalistas – que acusam o Brasil de não proteger o meio ambiente e suas práticas

Nadja Lira

Cada vez que vou a um supermercado em Natal sou indagada pelo caixa ou pelo embalador: “A senhora pode levar suas compras em uma caixa?”, ao que respondo: não!, prefiro as sacolas plásticas. Na última vez em que fiz tal afirmação, a moça que embalava as compras resolveu me dar uma aula/sermão. Assim, ela falou da quantidade de sacos plásticos que são lançados ao mar diariamente, das baleias e tartarugas mortas porque ingerem tais plásticos com o claro intuito de me fazer mudar de ideia.

A colaboradora do estabelecimento parecia muito bem-informada sobre os danos causados ao meio ambiente pelos produtos que, diariamente, são descartados. Segundo ela, um saco plástico leva de 30 a 40 anos para se decompor na natureza. Agradeci pelas informações, mas continuei firme na minha disposição de preferir as sacolinhas, deixando-a surpresa.

Aproveitei o ensejo para lembrar à embaladora de que praticamente todos os produtos expostos e vendidos naquela empresa são embalados em plástico. São biscoitos, pães, queijo, presunto, verduras, carnes, frutas, refrigerantes, xampu… enfim, tudo o que se compra em qualquer lugar é acondicionado em algum tipo de embalagem plástica. Por que cargas d’água somente as benditas sacolas são consideradas vilãs? Faltou argumento a ela e sobre nós pairou um silêncio sepulcral.

Voltei para casa pensando na hipocrisia existente entre os ambientalistas deste meu Brasil varonil. Parece que os únicos culpados pela poluição ambiental que paira no mundo é culpa única e exclusiva de nós, pobres consumidores. Ora, se o plástico é tão letal para o meio ambiente, por que ele é utilizado para embalar produtos? No meu ponto de vista, seria mais interessante proibir as indústrias de produzirem tais produtos ou produzi-los com um material de mais rápida decomposição? Ou por que não criar alternativas para facilitar sua reciclagem?

Esta semana também acompanhei pelos jornais da Internet e das TVs outra polêmica promovida pela hipocrisia ambientalista. Desta vez, envolvendo o presidente da República em relação à preservação ambiental. Note-se que com menos de um ano à frente da administração do país, Jair Bolsonaro transformou-se no responsável por todos os desmandos que vem sendo cometidos no Brasil. O brasileiro tem memória fraca e parece já ter esquecido que na gestão do ex-presidente Lula da Silva foram desmatados mais de 150 mil quilômetros quadrados no cerrado brasileiro, apenas para atender aos interesses do empresário/político Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do país.

A área devastada é maior do que aquela que abriga o Estado do Sergipe, mas nenhuma voz brasileira se levantou para acabar com esta aberração. Os ambientalistas, a CNBB, o Vaticano mandatários de outros países, especialmente europeus, emitiu uma única nota sobre o caso. Mas, agora, até conferência sobre a Amazônia está sendo feita pelas pastorais.

Não tenho procuração para defender o presidente. Porém, gostei da resposta que ele deu à chanceler alemã Angela Merkel. Penso exatamente igual a ele:  que ela deveria se preocupar com as florestas do seu país. A Noruega, por sua vez, que ostenta o título de “país mais feliz do mundo”, também não deveria meter seu bedelho nos nossos problemas. Deveria, na verdade, envergonhar-se com o extermínio de baleias apenas para fazer a comida com a qual alimenta seus animais de estimação.

Segundo um documentário exibido pela rede pública de televisão da Noruega, a NRK, noventa por cento de todas as baleias mortas anualmente em águas norueguesas são fêmeas, e que “quase todas” estavam grávidas. Onde está a revolta dos defensores de animais e os ambientalistas, que se permanecem calados diante de tal barbaridade?

Nadja Lira é jornalista, pedagoga e filósofa.

MATANÇA Pescadores noruegueses retalham um exemplar de baleia minke; apesar da moratória internacional estabelecida em 1986 pela Comissão Baleeira Internacional, o país nórdico permite uma cota de 1 278 animais a serem abatidos por ano – Islândia e Japão são os outros dois países no mundo que autorizam a caça do cetáceo

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