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A contradição palestina

Árabe muçulmano, radicado no Oriente Médi, Bassam Tawil expõe contradições da Autoridade Palestina em insistente “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Textpo reproduzido de Gatestone, em tradução de Joseph Skilnik.

*Hassan Tawil

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Particularmente ultrajante é o fato de Erekat ter sido internado em um hospital israelense para receber o melhor tratamento médico, justamente quando o governo palestino nega àqueles palestinos que são meros mortais a possibilidade de se tratarem em hospitais israelenses.

O fato de Erekat ter escolhido ir a um hospital israelense e não a um hospital jordaniano prova que ele “tem plena confiança nos israelenses, apesar de suas declarações públicas contra eles.” — alarab.co.uk, 19 de outubro de 2020

Se e quando Erekat se recuperar da atual enfermidade e voltar para a sua família, caberia a ele pedir desculpas aos Emirados Árabes Unidos e ao Bahrein por ter condenado os acordos de normalização que assinaram com Israel. Na esteira, ele deveria pedir desculpas ao povo palestino por privá-los do excelente tratamento médico que ele próprio recebeu no Hospital Hadassah.

Talvez Erekat também devesse agradecer aos médicos israelenses que trabalharam 24 horas por dia para mantê-lo vivo. Além disso, ele poderia agradecer às equipes médicas israelenses e aos soldados que o escoltaram de sua casa em Jericó até Jerusalém. Ao fim e ao cabo, Erekat poderia dizer ao mundo que lamenta ter defendido o boicote a Israel, país que ele sabia que poderia contar para salvar sua vida, não importando o mal que tivesse causado a ele.

Tanto ele quanto outros líderes palestinos, incluindo o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, acusaram os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein de traírem os palestinos e apunhalá-los pelas costas ao fazerem a paz com Israel. Saeb Erekat, autoridade palestina do alto escalão, passou as últimas duas décadas pregando  boicote e isolamento de Israel. Nos últimos meses, Erekat, um dos líderes da OLP que anteriormente chefiou a equipe palestina que negociava com Israel, se manifestou contra os acordos de normalização de relações entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Em 8 de outubro, Erekat disse que tinha sido infectado com a COVID-19. Poucos dias depois, conforme seu estado de saúde foi se agravando, Erekat foi levado às pressas de sua casa na cidade de Jericó, na Cisjordânia, para o Hadassah Ein Kerem, um hospital israelense em Jerusalém. Uma ambulância israelense protegida por soldados israelenses o transferiu para o hospital israelense a pedido de sua família e da liderança da Autoridade Nacional Palestina.

O homem que trabalhou incansavelmente com o objetivo de causar danos e caluniar Israel e que condenou árabes por estabelecerem relações com Israel, ao fim e ao cabo, preferiu procurar tratamento médico em um hospital pertencente àquele mesmo país que ele passou demonizando grande parte de sua vida.

Ao revelar que tinha sido infectado com a COVID-19, Erekat recebeu uma oferta do rei Abdullah da Jordânia para que recebesse tratamento médico no Reino Hachemita. Erekat agradeceu ao monarca jordaniano, mas declinou a oferta.

Deixando tudo isso de lado, diante do agravamento do quadro clínico, Erekat juntamente com a família e a liderança da ANP, correram para Israel em busca de ajuda. Israel respondeu de pronto enviando médicos e soldados israelenses a Jericó para trazer Erekat ao Hospital Hadassah, onde médicos israelenses trabalham para salvar a sua vida.

A ironia é que muitos comentaristas árabes não iriam deixar essa passar em branco.

Acontece que nem todos os árabes dormem no ponto no que diz respeito à monstruosa hipocrisia da liderança palestina. Estes árabes veem a hospitalização de Erekat em um hospital israelense como mais uma mostra das duas-caras e mentiras dos líderes palestinos, que, entra dia sai dia, incitam seu povo contra Israel, mas quando a água bate na b***a correm pedindo ajuda a Israel.

Particularmente ultrajante é o fato de Erekat ter sido internado em um hospital israelense para receber o melhor tratamento médico, justamente quando o governo palestino nega àqueles palestinos que são meros mortais a possibilidade de se tratarem em hospitais israelenses.

Em junho, a Physicians for Human Rights, organização não governamental israelense revelou  que as agências palestinas encarregadas do canal de comunicação com as autoridades israelenses pararam de transferir os pedidos de autorização de saída apresentados por motivos de saúde. Citando pacientes palestinos aos quais, segundo a organização, o Ministério da Saúde palestino se recusou encaminhá-los a hospitais israelenses ou de cobrir o custo do tratamento em Israel.

Por que a liderança palestina priva seu povo do benefício da assistência médica e do que há de mais moderno em Israel? Porque esta liderança palestina resolveu suspender há alguns meses todos os laços com Israel para protestar contra o plano israelense, desde então arquivado, de implantar soberania a parcelas da Cisjordânia. Se o plano nunca foi implementado, estão por que Mahmoud Abbas e seu staff em Ramala continuam boicotando Israel?

É óbvio que esse boicote não se aplica quando a vida de um alto funcionário como Erekat, secretário-geral da OLP, está em jogo. Erekat não queria ir para a Jordânia. Não pediu ajuda ao Egito, tampouco a outro país árabe. Seu apelo foi de forma clara e objetiva aos vizinhos israelenses, que, sem pestanejar, salvaram a vida dele. Foi esta, provavelmente, a única decisão razoável tomada por Erekat.

jornalista e colunista libanês Nadim Koteich, ao comentar a hospitalização de Erekat, apontou a “intensidade e as conotações simbólicas” de um alto funcionário palestino que “em sua complexa urgência e emergência médica, vê somente um centro médico israelense e uma equipe médica israelense para tentar salvar sua vida.”

Observando que Erekat rejeitou os acordos de normalização entre Israel e os dois países do Golfo, Koteich salientou que o tratamento do funcionário do alto escalão palestino em um hospital israelense mostra que os próprios palestinos “se encontram em uma realidade de normalização total com Israel”.

Koteich se pergunta porque os palestinos ainda não dispõem de modernos centros médicos depois de mais de 25 anos do estabelecimento da Autoridade Nacional Palestina. “A pergunta que não quer calar é: como é possível que os palestinos sequer tenham um hospital adequado para tratar deles mesmos?” perguntou ele.

“É concebível que, após um quarto de século do estabelecimento da Autoridade Nacional Palestina, os palestinos ainda não tenham um centro médico digno dos especialistas palestinos que trabalham em hospitais ao redor do mundo? Os palestinos tomaram toda a Faixa de Gaza (após a retirada israelense em 2005) e, em vez de transformá-la em uma zona econômica/industrial, Gaza virou um campo desesperado e deprimente à mercê do Islã político e uma arena para a guerra civil palestina (entre a facção Fatah de Abbas e o Hamas).”

O jornal londrino Al-Arab, ao se referir ao tratamento médico que a alta autoridade palestina recebeu em Israel, ressaltou que o fato de Erekat ter escolhido ir a um hospital israelense e não a um hospital jordaniano prova que ele “tem plena confiança nos israelenses, apesar de suas declarações públicas contra eles”.

Ahmed Moussa, proeminente personalidade da mídia egípcia também se manifestou em relação à controvérsia em torno do tratamento médico de Erekat em Israel. Moussa enfatizou que há “muitas perguntas a serem feitas” quanto à hospitalização de Erekat em Israel, especialmente na esteira de seus ataques contra árabes que normalizam os laços com Israel. “Há hospitais palestinos, há hospitais na Jordânia, no Egito e em muitos países árabes”, lembrou ele.

“Um mar de gente agora quer saber por que Erekat foi transferido a um hospital israelense? Há poucos dias mesmo, Erekat atacava árabes por estabelecerem relações com Israel. Mas agora ele optou por ser tratado em um hospital israelense. O Egito e Jordânia têm os melhores hospitais. Não causa espécie que Erekat tenha escolhido um hospital israelense e não árabe? Os palestinos detentores do poder precisam explicar à população porque ele preferiu um hospital israelense. Não sou o único a fazer essa pergunta. Eles nos devem uma resposta. Eles nos devem uma explicação do porquê Erekat ter sido levado para um hospital israelense.”

A pergunta de Moussa não é ,de modo algum, retórica. Ela está aí para destacar a hipocrisia dos líderes palestinos.

Líderes palestinos como Erekat têm condições de pagar o melhor tratamento médico VIP para eles e seus familiares, concomitantemente impedem que seu próprio povo da Cisjordânia e da Faixa de Gaza de irem a hospitais israelenses. O episódio Erekat serve como mais uma prova de que a atual liderança palestina está pouco se lixando com os interesses e saúde de seu povo, mas apenas com aqueles que são próximos a Mahmoud Abbas.

Se e quando Erekat se recuperar da atual enfermidade e voltar para a sua família, caberia a ele pedir desculpas aos Emirados Árabes Unidos e ao Bahrein por ter condenado os acordos de normalização que assinaram com Israel. Na esteira, ele deveria pedir desculpas ao povo palestino por privá-los do excelente tratamento médico que ele próprio recebeu no Hospital Hadassah.

Talvez Erekat também devesse agradecer aos médicos israelenses que trabalharam 24 horas por dia para mantê-lo vivo. Além disso, ele poderia agradecer às equipes médicas israelenses e aos soldados que o escoltaram de sua casa em Jericó até Jerusalém. Ao fim e ao cabo, Erekat poderia dizer ao mundo que lamenta ter defendido o boicote a Israel, país que ele sabia que poderia contar para salvar sua vida, não importando o mal que tivesse causado a ele.

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