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80 anos de história da Rádio Educadora (Xl)

Por um lapso, interrompemos no último sábado a sequencia de publicação desta série criteriosamente produzida pelo jornalista e pesquisador José Vanilson Julião, que presta um grande serviço à cultura potiguar e aos pesquisadores do futuro. Desculpas do editor.

*José Vanilson Julião

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Natal conta com 58.864 mil habitantes e 8.687 imóveis no perímetro urbano (Censo/1940). No segundo ano após a organização da Rádio Educadora “A Ordem” (1.588 – quinta-feira, 16/1/1941) anuncia a inauguração da torre montada pelo técnico Ramon Ziemkievicz para ás 16h30 quarta-feira (22). Com a presidencia do interventor federal Rafael Fernandes Gurjão, benção do bispo, dom Marcolino de Souza Dantas, e discurso do escritor Luís da Câmara Cascudo.

Na edição da segunda-feira (1.591 – 20/1) a nota é repetida e na seguinte. Com o falecimento do monsenhor Alfredo Pegado de Castro Cortez (Arez, 25/8/1876 – Natal, 22/1/1941) – ex-deputado estadual (1918/1926) e intendente municipal – a solenidade é adiada para o domingo (26). O passamento ocorre (11h30) na casa do irmão do vigário geral, procurador Ezequias Pegado, na Rua João Pessoa 219. Na véspera extrema unção de dom Marcolino e acompanhamento do monsenhor José Alves Landim, conegos Calazans Pinheiro, Luiz Adolfo, Luiz Wanderley, padres Benedito Alves, José Adelino, Luiz e Nivaldo Monte e Ulisses Maranhão.

E assim acontece a inauguração da estrutura de ferro necessária para a transmissão. Presente o chefe de gabinete Américo de Oliveira como representante do interventor e o prefeito Gentil Ferreira de Souza. O fotografo João Alves faz “chapas”. A estação auxiliar em experiência transmitiu os discursos, a partir das 16h30, sendo ouvida “perfeitamente não só na capital como no interior do Estado.” Até ás 19h30 foram irradiadas músicas gravadas.

Na mesma data anterior no terceiro aniversário o IAP atende os principais bairros com amplificadores na Tavares de Lira, Doutor Barata, Praça Carlos Gomes (Ribeira), Esplanada Silva Jardim (Rocas), Praça Gentil Ferreira (Alecrim), Praça Pedro Velho (Petropólis) e Avenida Rio Branco (Cidade Alta).

No programa comemorativo de estúdio participam Antonio Rodrigues, Antonio Lucas, Temistocles Costa, Faustino Silva, Antonio Marinho, Sebastião Amaral, Jaime Barros, Manoel dos Santos, Zezé Gomes, Reinaldo Ferreira, Elza Romão e Carmem Dolores. O empresário Teodorico Bezerra (Grande Hotel) oferece “lunch” e cede apartamento para as transmissões.

Para a quinta-feira (6/2) ocorre a apresentação do recital com Zoraide Aranha no Teatro Carlos Gomes em benefício da emissora. No programa (três partes): Guilherme de Almeida, o baino Castro Alves, Bastos Tigre, Olegário Mariano, Menotti del Picchia (“Juca Mulato”) Álvaro Moreyra, o paraibano Ascenso Ferreira, os potiguares Juvenal Antunes Pereira (“O Carreiro”), Auta de Souza (poema “Horto”) e Palmira Wanderley (“Salve, Rainha do Potengi”). Além de Laurindo de Brito, Moacir de Almeida, Bruno Seabra, Júlio Tinton, Luiz Peixoto, Luiz Cané, Carlos Chiaccio e Magdalena da Gama Oliveira.

Desde janeiro na cidade, quando se apresenta no Caicó (31), em abril o pai, o jornalista Victor Hugo Aranha (diretor do jornal “O Imparcial” e filho do livreiro Fortunato Aranha de “A Cosmopolita), e a filha Zoraide retornam no vapor Pedro II para Salvador.

O jornal católico entra novamente em conflito (segunda-feira 14/4): abre no alto da capa (seis colunas e abaixo do linha data): – Causou revolta o gesto do Indicador da Agência Pernambucana, lançando à face da população a maior injúria que se poderia conceber: a propaganda da doutrina de Lutero a auditórios constituídos de famílias católicas apanhadas de surpresa.

Ainda abaixo das quatro sensacionalistas linhas o repto continua como se fosse um bicho de sete cabeças detalhado em duas colunas com 13 linhas em três paragrafos: – O IAP faz propaganda do Protestantismo… Na edição seguinte nas mesmas condições: – O proprietário não permitirá mais propaganda protestante; – Merece aplausos a resolução e o senhor Luiz Romão deu cabal satisfação aos nossos reparos…

No Estádio Juvenal Lamartine o amistoso prol REN: América 2 x 1 ABC (domingo, 6/4/41), pela Taça Carlos Lamas, como árbitro o construtor pernambucano Joaquim Victor de Holanda, gols de Demóstenes (América, ABC, Ferroviário cearense, Botafogo e futebol colombiano) e Albano. A preliminar 2 a 2. Presença da banda de música da Força Pública, cedida pelo comandante, coronel André Fernandes de Souza. Exposição do troféu na Casa Olímpica (Praça Augusto Severo 81) – venda discos Odeon, RCA – Victor e Columbia. Com o ponta-pé inicial do prefeito Gentil Ferreira de Souza.

O interventor atende pedido de Carlos Lamas e entrega dois pianos do Teatro Carlos Gomes: o “Blutner” (de cauda) e o “Pleyer” (de armário). Os dois instrumentos não vinham sendo utilizados, sendo que o último estava desmontado na residência oficial. Já o “doutor” Heitor Varela (fábrica de mosaico “Resistente”) doa 20 metros do material. “Blatman & Starec” (Movelaria Vitória), da Praça Augusto Severo, doam móveis de vime para a sala de espera da estação (expostos na Casa Farache).

23/4: nas docas o segundo embarque do material da emissora encomendada à fábrica da RCA em Camden (New Jersey – Estados Unidos). O presidente Vargas atende o interventor Rafael Fernandes e isentam as taxas aduaneiras. Osvaldo Senra, técnico de Carlos Lamas, colabora com o técnico norte-americano, o qual é esperado em maio. O Ministério de Obras e Viação autoriza funcionamento (16/5).

Na segunda-feira (22/9) A Ordem relata na primeira página, em duas colunas e dez parágrafos, a mais extensa reportagem até então. Visita no sábado anterior ao prédio principal da emissora: – Logo a entrada fica o auditório com as janelas laterais (com 120 cadeiras). Depois o espaçoso estúdio e o salão de ensaio com vista panorâmica. Na ala esquerda a discoteca e a sala do locutor. À direita a secretaria e a sala de controle. A seguir as instalações sanitárias e o depósito de material.

“Fomos recebidos pelo engenheiro Valter Obermuller”, que monta os aparelhos comprados a fábrica RCA, norte-americano que recebe em Burbank (Califórnia), Assis Chateaubriand, responsável pela instalação da primeira emissora de televisão da América Latina, a TV Tupi (1950).

“O Diário” (quinta-feira, 2/10): aguardo da autorização. Na tarde seguinte a confirmação. “Ensaios da REN”: – Avisa-se ao público que a entrada para o recinto é terminantemente proibida aos estranhos, sendo que a entrada ao auditório só é permitida aos sócios e acionistas, os quais deverão apresentar a respectiva carteira ou recibo correspondente ao mês em curso.

Comunica-se também que os ensaios que estão sendo realizados não têm caráter de exibição, servindo apenas para preparar os elementos que deverão ser selecionados para atuar em nossos futuros programas, de modo que não serão abertas as cortinas do auditório, senão quando iniciar as irradiações de estúdio em caráter oficial.

Anúncio da “Rádio-oficina Victor”, de Barreto & e Senra, Travessa Aureliano Medeiros 50: – Recentemente instalada com aparelhagem moderna. Serviços rápidos e garantidos. Concertos de rádio, amplificadores, cinemas, transmissores. Material de rádio e acessórios, enrolamentos de bobinas e transformadores. Teste de válvulas ($500 cada).

Sábado (4) nota de capa: A meia noite a estação realizou a primeira experiência de ordem técnica, conforme autorização especial recebida à tarde, quando se utilizou a metade da potência, com audição, no interior, conforme telegramas já recebidos.

O diretor regional dos Correios, Horácio César Jordão, oficializou no documento 669 a autorização do chefe da segunda sessão A. Azevedo com prazo de dez dias é necessária para o ajuste dos equipamentos. Na mesma edição Genar assina a quarta coluna “Rádio – o meu quarto de hora”: – Podemos dizer que não somos uma zona surda…

Quarta-feira 8: recebe telegrama do secretário da diretoria geral, Ribeiro Gonçalves, autorizando experiência durante o dia por igual espaço de tempo “mediante prévia permissão. Preenchidas essas duas formalidades poderá ser obtida licença definitiva.”

Chegam telegramas de São Luis (chefe de polícia Aluizio Moura), Maceió (Josué da Silva Júnior), Fortaleza (major Juarez Vasconcelos, comandante do 23º. Batalhão de Caçadores) e Parelhas/RN (prefeito Pereira de Macedo) sobre sintonização. E convite do presidente da PRE-9 cearense, Euzébio de Souza, para a inauguração do transmissor de ondas curtas. Sexta 10/10: diretores da rádio recebidos pelo interventor Rafael Fernandes e o secretário geral Aldo Fernandes. Terça-feira 14/11: autorização para a fase diurna. Mas é dispensada de novas experiências…

Quinta-feira: a comissão de julgadores (Câmara Cascudo, Aderbal de França, Waldemar de Almeida e Maurilo) seleciona os candidatos: Iraci Muniz (11 pontos), Maria de Lourdes Moura (10), José Batista da Silva (10), Gervásio de Oliveira (9), Vitoriano de Medeiros (9), José Xavier de Almeida (8), Edison Silva (8), Geraldo Barbosa (8), Elza Portela (7), Clóvis de Melo (7), Lizete Moura (6) e João Alfredo (6). O estúdio estava cheio com familiares. Conhecido o resultado, aberto o cortinado, é ouvida em número extra a primeira colocada.

Em 21/11/41 acontece à primeira transmissão de futebol com o narrador Manoel Fernandes de Oliveira, o “Leléu”, irmão do jornalista Marcelo Fernandes, fundador da extinta revista RN – Econômico (1969), ao lado de Marcos Aurélio de Sá (fundador do semanário Dois Pontos). O comentarista,  Genar Wanderley.

O estadinho da Hermes da Fonseca recebe o então clássico ABC x Santa Cruz (2 × 2). ABC: Edgar, Nezinho, Nezinho II, Simão, Hermes, Zé Lins, Nené, Joãozinho, Albano, Pageú e Tico. Santa Cruz: Wallace, Zeno e Ferreira, Duda, Edval e Francisquinho, Manoel, Luizinho, Barbosa,  Lazito e Murilo.

A REN (prefixo ZYB-5, freqüência 1.270 kHz e amplitude modulada ou onda média – AM/OM) é inaugurada (domingo, 30/12). Genar Wanderley ler a “Ave Maria” (escrita por Luís da Câmara Cascudo). Participa a orquestra da REN, sob a batuta do maestro Maurílio Lira, e Alba Garcia de Azevedo interpreta uma canção mexicana. Fica assim inicialmente: 10 as 13, 16 as 17 e 18 as 22. Outros locutores: José Alcantara Barbosa, Júlio Geraldo e Pedro Machado.

Com benção de dom Marcolino (19h) – acompanhado pelo monsenhor Landim e seminarista Umberto Gambarra Galvão. Falam Rafael Fernandes, general Cordeiro de Farias (comandante da II Brigada de Infantaria), Aldo Fernandes (secretário geral do Estado), desembargador Virgílio Dantas (presidente do Tribunal de Apelação), Gentil Ferreira (diretor da emissora e prefeito), Abílio de Castro (Rádio Clube/Recife ao lado de Sebastião Lopes e Emanuel Silva visita o jornal católico no dia anterior) e os dois Carlos: Lamas (diretor) e Farache (superintendente)

Dia 6/12 estréia a “Hora Católica”. “A Ordem” (1.861 – sexta-feira, 26/12) encerra o ano com nota sobre o “Boletim Católico” para o dia seguinte (18h) com patrocínio da Diocese.

 

FONTES

A Ordem

A República

Diário de Natal

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Seminário São Pedro

Cardoso, Everaldo Lopes. Da Bola de Pito Ao Apito Final

BEZERRA, Severino, “Levitas do Senhor”, vol. 1, Fundação José Augusto, Natal, 1985.

Edvânia Duarte Rodrigues e Adriano Lopes Gomes, Na poeira do tempo, a expressão da memória: a reconstituição histórica da Rádio Poti (1941 – 1955)

Nós do RN – Diário Oficial do Estado (I, 10, setembro/2005) – A Saga do Rádio Potiguar

Souza, Itamar de (2008) – Nova História de Natal (Departamento Estadual de Imprensa)

Monsenhor Alfredo Pegado

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