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80 anos da Rádio Educadora (V)

Colaborador de Navegos enriquece a história do rádio potiguar ao fazer descobertas surpreendentes sobre uma emissora  que se destacou por seu pioneirismo e marcou uma época em Natal.

*José Vanilson Julião

O paraibano Luiz Romão de Almeida (Santa Rita/PB, 18/12/1900) – filho de Francisco Romão de Paula e Josefa Joaquina do Nascimento – chega a Natal em 1916 e passa a vender jornais e revistas na estação ferroviária da Central (linha Nova Cruz). Fixa residência e quatro anos depois instala a Agência Pernambucana na Avenida Tavares de Lira 46 (Ribeira).

O primeiro empreendimento deste tipo na capital potiguar aparece pela primeira vez no “Almanaque Laemmert” (1929), que circula entre 1844/1940, cujo representante local era Mário de Araújo Lima (endereço telegráfico “Marujo”), e escritório na Rua Doutor Barata, primeiro andar 170 (Ribeira). O anuário editado (até 1889) pelos irmãos alemães Eduard e Heinrich Von Laemmert, originários de Rosenberg, soma 49 edições. A tipografia ficava na Rua da Quitanda 77.

A distribuidora permanece solitária na lista da publicação – com informações administrativa, mercantil, industrial – até as edições 1930/31 e 1935. Ganha a companhia de (1937) Mário Eugenio Lira (Macaíba, 15/5/1892 – Natal, 22/12/1965), com escritório na Avenida Rio Branco. Continua no mesmo logradouro, agora no prédio 48.

Funcionário público municipal desde os 14, nomeado diretor de expediente pelo intendente, engenheiro Omar O’Grady (Natal, 18/2/1894 – Rio de Janeiro, 31/10/1985), Lira é prefeito interino 14 vezes e efetivo (1/1/1942 – 23/3/1943), patrono de escola municipal (Rocas) pelo decreto 855, do prefeito Agnelo Alves (Ceará-Mirim, 16/7/1932 – São Paulo, 21/6/2015) em 20/5/1966 e nome de rua nas Quintas – também capta anúncios para a Rádio Tupi no escritório da Rio Branco.

Cliente o ex-tenente do Batalhão de Segurança, coronel da Guarda Nacional por decreto do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves (Guaratinguetá, 7/7/1848 – Rio de Janeiro, 16/6/1919), o comerciante Francisco Justiniano de Oliveira Cascudo (27/11/1863 – 19/5/1935). Comprava as revistas “Careta” e “Fon-Fon” na AP e na Livraria Cosmopolita (Doutor Barata), existente desde 1897, quando anuncia em “A República”.

A Cosmopolita, que também passou pela Travessa Venezuela (1922), pertencia ao paraibano Fortunato Rufino Aranha (falecido em 19/4/1947) – pai do poeta macaibense Murilo Aranha (1890 – 1918) – que chegou a presidente da Intendencia e inaugura o prédio da Prefeitura da Ulisses Caldas. Lembra o escritor Luis da Camara Cascudo em crônica sobre o pai.

No terceiro número de “A Ordem” (quinta-feira, 18/7/1935), com sede na Doutor Barata 216 (Ribeira), há “reclame” da agência para a venda da antologia “Leituras Potiguares” do professor Antonio Gomes da Rocha Fagundes (Canguaretama, 9/12/1896 – Natal, 10/10/1982) “com trechos dos mais notáveis autores norte-rio-grandenses” recomendado pelo Departamento de Educação.

Na edição 86 (sexta-feira, 25/10) anuncia que ocupa um dos gazeteiros para a venda de publicações na linha recentemente inaugurada (Natal – Caicó) a partir da quarta-feira. O vespertino (sexta-feira, 20/12) agradece o recebimento das “boas festas” em folhinhas e cromos de M. Martins & Cia., João G. Alcoforado (Armazém Copacabana), Olivério Noronha (Confeitaria Avenida), Luiz Romão e Companhia Souza Cruz.

O revolucionário comunista de 1935, Gastão e Costa Nunes, trabalhou na empresa. “Lia o que podia ler. Nas folgas. Pois o meu trabalho era vender jornais pela cidade.” O gerente da agencia João Nicodemos de Lima, que, depois fundou a Livraria Lima, embrião do sebo famoso, sendo o patrono do selo literário do “’Sebo Vermelho”, do editor Abimael Silva.

Em dezembro de 35 até o jornal católico anuncia o resultado do exame de admissão do Colégio Pedro II, do quinto para o sexto ano, da filha Elza Romão de Almeida, com grau quatro ou “simplesmente”. Na mesma relação Luiz Rios Bacurau, que dá nome ao estádio do distrito de Santo Antonio dos Barreiros, no município de São Gonçalo do Amarante.

Edição 139 (sábado, 11/1/1936): veicula propaganda da revista “O Malho”, a venda na AP e na Cosmopolita. O segundo encontro dos gazeteiros acontece na Escola do Comércio (19h30) com solenidade de inauguração patrocinada pelo Departamento de Educação.

Centro de Imprensa cria a Escola de Gazeteiros (126 – 13/2/1936). Na segunda-feira (23/12) organiza reunião na Escola Técnica do Comércio com 32 garotos para que tenham instrução “e cuidados os interesses espirituais, sociais e econômicos.” Para que a obra tenha o máximo de eficiência é preciso o concurso dos outros jornais e o auxílio do poder público.

Inauguração no domingo com a solenidade presidida pelo monsenhor José Alves Landim, tendo como oradores Ulisses de Góis e Oto Guerra. No aniversário do primeiro ano de circulação do vespertino ocorre a inauguração do prédio da escola (terça-feira, 14/6).

A agência distribui os números dois e três da revista “Panorama” (também a disposição na Casa Gondim), pertencente ao Integralismo, com artigos de Plínio Salgado (1895 – 1975), Gustavo Barroso (1888 – 1959), Miguel Reale (1910 – 2006), Félix Contreiras Rodrigues (Bagé, 1884 – 1960), Hélio Viana (1908 – 1972) e o padre Helder Pessoa Câmara (1909 – 1999).

No encerramento do ano letivo excursão para São José do Mipibu em ônibus da Viação Seridoense cedido pelo empresário Othon Osório (nome do estádio em Cerro Corá) para passeios em Parnamirim (instalações da Air France), Taborda e Lagoa do Bonfim.

Os gazeteiros são recebidos pelo monsenhor Paulo Herôncio de Melo (com “lunch”), pelo prefeito Áureo de Araújo e participam de partida de futebol. Na segunda missa na catedral, café da manhã e passeio em ônibus da Companhia Força e Luz, cedido pelo gerente Joseph Wiliam Brown, marido de dona Paulina, irmã do ex-governador Juvenal Lamartine de Faria. 410. 20/12.

Posteriormente passam a receber atendimento médico (médicos Ricardo Barreto, Varela Santiago e Armando China) e dentário (Instituto de Proteção a Infância) e descontos na Farmácia Monteiro. No distrito de Monte Alegre (São José) Cruzeiro 2 x 2 Gazeteiros. No primeiro “team” Rivadavia (jogou no Santa Cruz/RN) e Zeno (campeão pelo tricolor contra o América em 1944 pela temporada anterior).

Em janeiro (1937) a abertura do ano letivo no novo prédio da Rua Voluntário da Pátria. A escola persiste até pelos menos 1946 e indica que dois anos depois já não mais existia. Atendendo apelo da direção da escola “A República”, “O Jornal”, “A Razão” e “A Ordem” (13/1) autorizam a Agência Pernambucana, intermediária na distribuição dos exemplares, a descontar cinco reis de cada número avulso vendido para a compra dos uniformes para os gazeteiros.

As folhas não diárias descontam 4%. Com as contribuições, subvenção do Estado e auxílios do comércio não poderá mais se apresentar em público os gazeteiros sem o uniforme branco, cáqui ou mescla. Para preencher as vagas que forem ocorrendo aceita meninos pobres “de bom procedimento.”

O relacionamento da agência com a imprensa é substancial, pois leva o jornal católico a repercutir na “Social” o casamento (25/3) do auxiliar Jorge Ribeiro Dantas com a senhorita Maria Benalva dos Santos, em Sapé/PB. Assim como abriga um reclame para a venda de duas casas e terreno de 884 metros quadrados na praia de Ponta Negra com tratativa na sede da agência.

Romão casa pela primeira vez aos 16 com a conterrânea Laura Alves Queiroz (dona Didi), de 14. Do consórcio nascem quatro filhos, sobrevive Elza, que, jovem passou a braço direito nos negócios. Ela até noiva com o acadêmico de Medicina José Pompeu de Luna, filho do guarda-livros Pompeu Luna, do curtume João Mota & Irmão, falecido na terça-feira (8/2/1944). Mas consorciar-se com Máximo Correia Lima (funcionário da Prefeitura recifense) em 20/9/1945.

Viúvo contrai matrimonio com Maria Nazareth Fernandes na Igreja do Bom Jesus das Dores (na manhã da segunda-feira, 15/3/1937) – padrinhos médico Ricardo Barreto (representado pelo contador Felipe de Andrade), professor Ulisses de Góis e pecuarista João Perceval de Faria Caldas –, com a celebração do padre Agostinho Hauneken. O casal tem quatro meninas e um menino (falece jovem). E ainda encontra tempo para plantar o aniversário do funcionário Severino Silva na “Social” (quarta-feira, 21/4).

A agência distribui livros e revistas para os presos da Casa de Detenção de Petrópolis (sexta-feira 11/6). Anuncia (terça-feira, 28/9) a venda do livro “Meu Depoimento” (Imprensa Oficial) do advogado João Medeiros Filho. Em 16 capítulos – precedentes históricos, acolhida na Paraíba, desvio do dinheiro, deposição do governador Rafael Fernandes e depoimento do cabo Adalberto José da Cunha, entre outros temas – com 144 páginas detalhando a “Intentona Comunista.”

A última menção do ano no vespertino católico (quarta-feira, 20/10/1937) acontece pela conclusão da construção e posterior exposição da iole Rio Grande do Norte na agencia, na qual remadores partem para o Rio de Janeiro. A cerimônia de batismo da pequena embarcação ocorre no domingo pelo cônego paraibano Amâncio Ramalho Cavalcanti, irmão do bacharel Celso Ramalho.

 

FONTES

A Ordem

A República

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Almanaque Laemmert

Brechando

Carlos Roberto de Miranda Gomes

Construindo a História

Direitos Humanos Net

Escola Municipal Mario Lira

Fatos e Fotos de Natal Antiga

Jornal de Beltrão

Jota Maria

Natal de Ontem

Overmundo

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